segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Domingo, Sangrento Domingo

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É com grande prazer que finalmente irei escrever um post/review sobre essa HQ!
"Domingo, Sangrento Domingo" é uma HQ do roteirista/escritor/jornalista/nerd/etc Romeu Martins (que por sinal já teve participação em outro post que eu escrevi aqui, "Quero trabalhar com quadrinhos. E agora?!") e o incrível desenhista Victor Vic. Os dois são meus amigos então tive a chance de acompanhar algumas das partes do processo, como o lançamento e essas coisas.

AGORA, MINHA OPINIÃO SOBRE A HQ.

Eu sou meio suspeita para falar porque eu tenho uma queda por histórias desse tipo, com temas mais macabros porém sem deixar o clima pesado demais. 
Posso dizer sem sombra de dúvidas que essa HQ ficou impecável. O estilo na minha opinião funcionou muito bem em conjunto com a história, a diagramação ficou incrivelmente boa (e eu sei o quanto isso é difícil!) e o uso de retícula com cores apenas em preto e branco e a composição em si com contato com o ritmo da história está surpreendente. Agora pra quem me conhece, sabe que eu não sou nada de puxar-saco, então saibam que esse é a minha opinião sincera de quem já releu essa HQ mais de 3 vezes (fangirlice, eu sei).

Fanart que fiz da personagem Mary ruiva!
AGORA, sobre a história. Conta sobre uma prostituta (Mary ruiva, ela é uma lindeza) e seu amigo que entram em uma caverna em busca de prata e acabam encontrando uma repugnante criatura, um vampiro um tanto quanto peculiar, Domingo Ruiz! 
Agora o que acontece além disso vou deixar pra vocês próprios descobrirem, mas já irei deixar registrado que é muito bom, até o final.

A história se situa no gênero weird western, que mistura elementos fantásticos ao faroeste que conhecemos, além disso o conto do Romeu que gerou essa HQ também já foi publicado pela editora Estronho no livro "Cursed City - Onde as almas não têm valor". A editora foi a mesma que publicou a HQ deles e espero que possa publicar ainda muitas graphic novels pelo Brasil afora!
A parceria do Romeu e do Victor nasceu no evento "Desenhe Aqui", que acontece todo mês aqui em Florianópolis-SC (e que já vai fazer um ano que eu participo de todas as edições do evento também!), é uma oportunidade única de artistas, e no caso roteiristas também, de se conhecerem e trocar ideias.


Foto da matéria publicana no Diário Catarinense do dia 07/12/13- Foto: Roberto Scola / Agencia RBS


Pedi então para o Romeu e o Victor darem suas opiniões sobre como foi fazer esse projeto e como foi todo o processo, segue ai o do Romeu

Apesar de já ter feito algumas experiências com tiras e mesmo quadrinhos jornalísticos, de não-ficção ( à moda de Scott McCloud e Joe Sacco), cheguei há tempos à conclusão de que só poderia fazer algo comercial na área se fosse em parceria com um bom desenhista. Mas a vontade de fazer quadrinhos sempre esteve presente, em todas as experiências de escrever ficção que tive, desde que comecei a criar contos de literatura fantástica em 2008, já tendo publicado em uma dezena de coletâneas desde então. Foi o caso do conto "Domingo, Sangrento Domingo" que escrevi para o livro Cursed City - Onde as almas não têm vez, da editora Estronho em 2011.
Apesar do nome e da presença de uma personagem irlandesa, não existe uma ligação temática verdadeira com a banda U2. Para criar a história do vampiro catalão Domingo Ruiz e da prostituta Mary Ruiva eu parti como quase sempre de uma imagem, pensando o texto a partir dela. No caso, foi a capa do disco Seventh son of a seventh son, da banda inglesa Iron Maiden. Há mesmo uma relação temática com aquele àlbum. É um ponto de partida que eu já havia previsto que passaria a um desenhista, caso acontecesse de eu encontrar algum disposto a adaptar aquele meu conto para os quadrinhos algum dia.
Isso veio a ocorrer no ano seguinte ao da publicação do conto, durante um evento Desenhe Aqui, que reúne quadrinistas todos os meses em Florianópolis. O cartunista e chargista Victor Vic veio conversar comigo à procura de roteiros para ele desenhar e se lançar na área que realmente o interessava, a chamada nona arte. Passei para ele a imagem que me serviu de guia e, em pouco tempo, os personagens que eu havia criado para um conto se tornaram criaturas dos quadrinhos.
Foi uma experiência das mais gratificantes que já tive o processo de criação e o lançamento da HQ Domingo, Sangrento Domingo. A graphic novel é a primeira do que Victor, o editor Marcelo Amado e eu estamos trabalhando como uma trilogia de álbuns, sendo que o segundo sai ainda este ano. Nos próximos trabalhos, terei o prazer de trabalhar diretamente com um roteiro desde o início pensado oficialmente como quadrinhos. Já estou tendo uma prévia desse novo tipo de parceria com o mesmo Victor já que ele está trabalhando em um roteiro meu para uma nova HQ que fomos contratados para fazer graças ao cartão de visitas que nossa graphic novel de estreia se tornou. Assim, posso finalmente trabalhar diretamente com esta forma de arte que sempre esteve entre as minhas favoritas. E com um profissional da categoria de Victor Vic.


O lançamento da HQ desses dois fez tanto sucesso que esgotou todo o estoque da livraria no mesmo dia, em algumas horas apenas! (Luana também esteve lá para testemunhar, e até ganhei uma versão autografada)
Agoooora o artista


Meu primeiro contato com literatura foi através dos quadrinhos. Eu era realmente novo e nem sabia ler, mas passava horas folheando apaixonadamente gibis de todos os tipos. Fascinado pelas figurinhas. O tempo passou, a paixão cresceu, e eu estudei seriamente desenho, com o objetivo de me tornar um autor de quadrinhos de sucesso. Já trabalhava com ilustrações, mas faltava a experiência prática no ramo dos quadrinhos, tudo o que eu sabia estava na teoria.
A oportunidade de ouro surgiu no encontro Desenhe Aqui. Romeu Martins possuía alguns roteiros prontos, e o contato com a Editora Estronho, onde ele já havia publicado alguns livros. Valia a pena apostar num projeto independente, com a remota possibilidade de publicação. Além do mais eu fui fisgado pelo conto Domingo, Sangrento Domingo. Eu simplesmente queria desenhar aquele lúgubre universo, e seus curiosos personagens.
Felizmente nossa HQ foi publicada e está surpreendendo com um retorno muito positivo. Já estamos trabalhando novos projetos e eu enfim comecei minha carreira como Quadrinista.
Fazer quadrinhos talvez seja a área mais Hard core da ilustração. O processo é demorado e maçante. Você tem de criar páginas e mais páginas de quadros. Preocupado com o a concepção, estética, a narrativa, as cores, expressões, cenários, a semiótica etc. É como uma louca maratona; como criar um filme, onde você é ao mesmo tempo diretor, ator e técnico de produção.
Porém, mesmo o processo sendo uma louca e intensa jornada, meu fascínio só cresce. Criar quadrinhos é como um mergulho profundo numa misteriosa dimensão, você cria e interagem com conceitos sutis. Vive emoções de satisfação e frustração a cada traço. É como brincar nos sonhos e deixar tudo registrado, pra compartilhar com os outros. Quero produzir quadrinhos por toda minha vida. Tenho sorte de já ter em Romeu Martins um camarada pra comparticipar das aventuras da viagem.

A felicidade da criança no dia da estréia

Eu tenho muito orgulho desse pessoal brasileiro que conseguem fazer um trabalho desses. Agora vocês me perguntam "Óh Luana, mas onde posso conseguir esta maravilha?!?!?!?!"

>>Para adquirir:<< 


Inclusive fiz um vídeo mostrando pra vocês um preview da HQ! ASSISTAM!








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