quarta-feira, 22 de maio de 2013

Asa Noturna #1-7 - Traps and Trapezes - Review

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Roteirista: Kyle Higgins
Ilustrador: Eddy Barrows / Participação de Trevor McCarthy somente na edição #4

Coloristas: J.P. Mayer #1, 2 / Paulo Siqueira #2, 5, 6 / Eduardo Pansica #3 / Eber Ferreira #5, 6, 7 / Ruy José # 6 / Geraldo Borges # 6, 7

   Richard John Grayson, mais conhecido como Dick Grayson é um dos personagens mais icônicos da história da DC comics. Tal fato se deve especialmente por Dick ter sido o primeiro sidekick do Cavaleiro das Trevas, o primeiro Robin. Adotado por Bruce logo após a tragédia que caracterizou o assassinato de seus pais acrobatas, os Graysons Voadores, o menino não demorou muito a descobrir o segredo de seu novo tutor, bem como acompanhá-lo em missões utilizando-se todas as suas habilidades circenses, fazendo jus à denominação de prodígio. Mas o primogênito dos Robins aos poucos cresceu, amadureceu e em determinado momento quis encarar o mundo sombrio de Gotham City por si. Como que para “alçar seus próprios voos”, surgiu assim o Asa Noturna (Nightwing).

A evolução de Dick Grayson - arte por ~vo5, usuário do deviantart

   Após várias aparições em edições dos Novos Titãs (New Teen Titans) na década de 80 e início dos anos 90, assim como em publicações relacionadas do Batman neste mesmo período, o herói só ganhou sua primeira revista solo em setembro de 1995. Nightwing Vol. 1 durou 4 edições, mas Nightwing Vol. 2 se estendeu de outubro de 1996 até abril de 2009 com 153 edições. Com o reboot da DC e a estruturação dos novos 52 o Asa Noturna volta a ter seu próprio título.
Capa de Nightwing #3

    ATENÇÃO: A sequência desse texto possui informações que podem ser consideradas como spoilers. 
   O responsável pelo roteiro é Kyle Higgins (Batman: Gates of Gotham), que de início já mostra um Asa Noturna mais preparado e familiarizado com os percalços que Gotham City pode apresentar, em especial após sua última empreitada nada fácil: substituir Bruce Wayne e vestir o capuz de Batman por quase 1 ano. É notório um Dick Grayson mais confiante de si mesmo após essa válida experiência e ao mesmo tempo satisfeito por voltar a ser “ele mesmo”. Porém, tudo muda drasticamente quando o passado e as lembranças mais dolorosas de Dick vem à tona contrastando com sua nova vida, o medo do inesperado é acompanhado por duas palavras: Circo Haly.

Dick Grayson diante de seu passado, o circo Haly.
   O circo está de volta a Gotham desde a fatídica noite em que os pais de Dick, o casal John e Mary Grayson, foram vítimas de uma sabotagem da mafiosa família Zucco. Dick enfrenta um turbilhão de emoções, entre essas a nostalgia ao entrar no picadeiro, como se voltasse ao seu habitat natural reencontrando velhos conhecidos. Elementos típicos como as espontâneas e bem humoradas falas do Asa em combates corpo a corpo estão presentes, como em seu encontro com um novo inimigo, o assassino de aluguel Saiko, que aparece subitamente na cidade com a missão de matar Dick Grayson.

Asa Noturna usa sua roupa eletrificada com 150 mil volts para tirar vantagem em luta com Saiko
   A trama aos poucos começa a ganhar relações intrincadas sobre cada detalhe apresentado na vida de Dick, e uma volta às origens forçada se apresenta. E claro que quando falamos de uma história do Asa Noturna, uma coisa que não pode faltar são as mulheres que o cobiçam. Raya, a antiga amiga de infância de Dick e atual par do herói, ajuda a bagunçar um pouco mais sua mente e desempenha importante papel. É ela quem está presente ao lado de Dick quando um evento chave do arco ocorre, em que Grayson tem que lidar com a morte do Sr. Haly após mais um confronto com Saiko. 
    Mas dessa vez além de uma morte, o saldo da batalha é: Saiko sabe quem é o Asa Nortuna e o Sr. Haly antes de falecer cita que a resposta de tudo está no coração do circo. Para ajudar, Dick é contemplado com o próprio circo após a morte do Sr. Haly, o que gera insatisfação por parte de Bryan Haly, que já estava administrando os negócios da família.

Diálogo entre Dick e Raya após a morte do Sr. Haly
   A partir daí, Dick como novo “dono” do circo acha a desculpa perfeita para acompanhá-lo e descobrir qual a relação de Saiko com o mesmo, e o que Sr. Haly queria dizer com “as respostas estão no coração do circo”. Quadro a quadro a narrativa invade gradativamente diferentes cidades, como numa turnê americana enquanto o protagonista tenta montar o quebra cabeças da grande questão. Nesse meio tempo Asa se envolve em missões secundárias que envolvem vilões um tanto quanto distintos, tais como demônios, cowboys high-techs e metamorfos.

Capa de Asa Noturna #5
   Vê sua relação com Raya estremecida com o aparecimento de Bárbara Gordon, a Batgirl, em determinado ponto da história. Que ocorre na única edição que não é assinada pelo ilustrador Eddy Barrows, que fica a cargo de Trevor McCarthy que não compromete. Barrows é um conterrâneo brasileiro que dá o traço singular para este título da Bat-família, já trabalhou em inúmeros títulos até chegar aqui e é muito lembrado por sua fase em Action Comics e Superman. Sua arte não deixa a desejar.

Arte de Eddy Barrows
    Porém como palco final, o circo retorna para Gotham, onde a trama principal chega a uma conclusão. As duas últimas edições de Traps and Trapezes são muito boas e trazem reviravoltas interessantes dentro daquilo que o título já havia proporcionado. Saiko se apresenta como alguém mais próximo do que se podia imaginar, uma pessoa que já esteve presente na vida de nosso herói. A já esperada batalha final entre “mocinho e vilão” ocorre no palco da apresentação tributo aos pais de Grayson (motivo conveniente pelo qual o circo retorna a Gotham). Traições, pancadaria, flashbacks, revelações e arrependimentos são elementos que estão presentes no final dessa narrativa. Não irei estragar a experiência de vocês que ainda não leram essa história, e, portanto não direi como tudo é finalizado.

Grayson e Saiko no ato final
    Leitores do Batman de Snyder serão presenteados ao final da edição #7, quando o caminho da dupla dinâmica se cruza e temos a preparação de terreno para o próximo arco, que não é surpresa para ninguém, envolve certos predadores naturais de morcegos.
    No Brasil as histórias do Asa tem saído pela Panini na publicação A Sombra do Batman, e Traps and Trapezes está presente em suas 7 primeiras edições. Neste mês ela já está em sua edição de nº 12, enquanto a versão americana de Nightwing já vai para a edição de nº20. Se você ainda não leu, corra atrás das primeiras edições para conferir o recomeço do Asa Nortuna nos Novos 52. No geral pode-se dizer que é uma revista bem estruturada e vale a pena acompanhar, tanto o roteiro como arte fazem o que podem dentro de um personagem secundário do Morcego, apenas não vá com muita sede ao pote esperando um arco “dos deuses”, mas se você é fã do Asa ou quer conhecê-lo melhor, sem dúvida deve ler!

Nota geral: 7,5
Roteiro: 7,5
Arte: 8

  John Henry, além de fazer análises para o blog HQMaps também possui um grupo de discussão de quadrinhos do facebook, o 'The Comic Shop'. Um lugar onde você encontra verdadeiros fãs da nona arte promovendo de modo civilizado ótimos debates. Para entrar no grupo basta solicitar participação e passar por uma pequena entrevista com o John, provando que realmente é fã de HQs. Segue o link do grupo: The Comic Shop

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