sexta-feira, 5 de abril de 2013

Hawkeye (Gavião Arqueiro) - Review

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O Gavião Arqueiro sempre foi um personagem ignorado por muitos, mas que começou a ganhar seu merecido destaque nos últimos anos, quando Brian Michael Bendis assumiu o título dos Vingadores. E desde então, os rumos que o personagem tomou foram no mínimo interessantes: morreu, se tornou o líder de uma equipe renegada e de um esquadrão secreto de Vingadores, assumiu a identidade de Ronin, o ninja sem mestre (!), abandonou seu arco por um período e passou seu manto para Kate Bishop, a Gaviã Arqueira dos Jovens Vingadores. Claro que eventualmente Barton reassumiu sua identidade original e voltou a atuar com os Maiores Heróis da Terra.
E, assim como vários outros personagens da equipe, Clint Barton recentemente ganhou seu merecido título solo, aproveitando o sucesso do filme dos Vingadores.

E para assumir tal responsabilidade, a Marvel apostou em dois dos seus melhores talentos. Nos roteiros temos Matt Fraction, que é responsável por uma das mais aclamadas fases do Homem de Ferro e atualmente escreve o Quarteto Fantástico e FF (Fundação Futuro). Já na arte, o fabuloso David Aja (Punho de Ferro, Demolidor) assume as principais edições, com seu traço despojado, simples e ao mesmo tempo fantástico. Nas edições sem Aja, ainda temos Javier Pulido, Steve Lieber e Jesse Hamm.

Pra quem conhece o personagem apenas dos filmes pode estranhar, afinal, no filme temos Jeremy Renner interpretando Barton e o ator é um tanto marrento, ainda que sua atuação seja convincente. Mas nas HQs, o personagem sempre mostrou um humor mais "palhaço", fazendo frente até às piadas do Homem-Aranha em sua época nos Novos Vingadores.


Bom, a abordagem da série já começa naquela breve página de recapitulação, que já avisa: "Clint Barton, também conhecido como Gavião Arqueiro, tornou-se o maior arqueiro que o mundo já viu. Aí ele entrou pros Vingadores. Isso é o que ele faz quando não está sendo um Vingador". 
Ou seja, aqui vemos o cotidiano do herói, contado em tramas simples, mas nos cativando e nos conquistando por meio dos diálogos afinados, geniais e divertidíssimos que Fraction nos proporciona. Um exemplo disso é a primeira edição, na qual vemos Barton lidando com a máfia russa, apenas para proteger seus vizinhos. Aliás, a entrada dos russos na história traz piadas e trocadilhos linguísticos espetaculares, tornando a narrativa ainda mais prazerosa.


E David Aja nos leva à uma viagem fantástica em seus desenhos. Eu falho aqui ao tentar definir o que exatamente me agrada tanto no traço desse artista, não consigo apontar exatamente. Ao mesmo tempo que mantém um desenho simples, Aja é complexo e completo em suas colocações, desenhando cenas de diálogo e de ação de forma magistral. A edição #6 já é uma das HQs que eu mais gostei na minha vida, quando o assunto é arte. A técnica de narrativa escolhida pelo desenhista nessa edição é espetacular. Quantos aos outros desenhistas, não há muito o que acrescentar. Javier Pulido (edições #4 e #5) traz uma abordagem mais "old-school", mas satisfatório, e Steve Lieber e Jesse Hamm (edição #7) mantém o nível da série, apesar de serem inferiores aos outros. Ah, e fica aqui o destaque também para a colorização de Matt Hollingsworth, que faz um trabalho muito bom completando a arte de Aja (e dos outros também), com muitíssima competência, sendo parte essencial da belíssima arte da HQ.



Além de Barton, temos um elenco interessantíssimo de coadjuvantes: Kate Bishop, a Gaviã Arqueira, que aparece aqui como uma side-kick de Clint, além do Pizza Dog, que já cativa o leitor na primeira edição. Aliás, Matt Fraction já prometeu uma história dedicada só ao cão, na edição #9. Destaque também pros vilões, que são sempre apresentados de forma muito criativa e até mesmo caricata, combinando com o tom da trama. Exemplo disso é a já citada máfia russa, que gera algumas das cenas mais divertidas da série.

Depois de tantos elogios e adjetivos, só quero acrescentar uma informação: leitores e fãs já apostam nesse título para uma possível indicação ao prêmio Eisner (a premiação mor dos quadrinhos, tipo um equivalente ao Oscar, respeitadas as proporções). Portanto, já dá pra imaginar o nível de qualidade do negócio.


Então, fica aqui a recomendação para aqueles que querem conhecer mais o personagem ou pra aqueles que, como eu, já gostavam do Gavião Arqueiro e estão à procura de uma boa história, contada por mestres da nona arte.
A série já está em sua oitava edição lá nos EUA, ainda sem previsão de publicação aqui no Brasil. Mas ainda assim, vale muito a pena dar uma conferida nesse material.

Futzing cool, bro.

Roteiro: 10/10
Arte: 9/10
Nota final: 9,5

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